13.1.09

Natal

Meu natal foi um lixo. Ou melhor, nem tive natal. Teve uma festa para a tripulação (tudo pago por nós, nada, nem uma rena de chocolate dada pela companhia). A única coisa que eles ofereceram foi o DJ e a banda (lógico que foi a banda brasileira,BR Connection, porque era a melhor!). Eu queria muito ter ficado pra vê-los tocar mas estava exausta, com febre e dores nos pés.
Desde que cheguei foi a terceira vez que fui ao hospital do navio. A primeira logo no segundo ou terceiro dia por causa de uma diarréia que somos obrigados a reportar devido ao pânico que eles têm de que um vírus se espalhe pelo barco. Fizeram exame de sangue, me deram uma injeção e me confinaram na cabine até o dia seguinte.
Uma semana depois fui novamente, desta vez por causa dos meus pés. O inchaço era assustador mas o que mais incomodava eram as dores fortíssimas, como picadas de vespa, que ferroa e queima ao mesmo tempo, principalmente na hora de dormir. A dor é tanta que levo mais de duas horas do meu precioso tempo de descanso pra pegar no sono.
A vaca da médica nem pôs as mãos nos meus pés (estavam limpinhos, juro!) e diagnosticou que era “apenas” retenção de líquidos. Me deu diuréticos e mandou que dormisse com os pés para cima. É claro que ela nunca entrou numa cabine de crew, senão saberia que “pés para cima” na cama de cima do beliche é uma posição que desafia as Leis da Física.
Como não houve melhora nenhuma, o que houve foi o acréscimo da febre à tudo isso e o comprometimento da qualidade do meu trabalho devido às dores e à falta de sono, resolvi voltar no dia 24. Coletei urina e o resultado saiu em tempo recorde: menos de 2 minutos. De fazer inveja à NASA. Ela disse que eu tinha uma infecção urinária e receitou Bactrin. Milagrosamente meus pés amanheceram menos inchados, mas a dor, como no clichê da propaganda brasileira, continua a mesma...

0 comentários: